sexta-feira, 26 de junho de 2009

A aventura do papel


Quando criança, lembro me que peguei o livro "A aventura do papel", ainda na biblioteca da então Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus Professor Paula Santos, para ler em casa.
A iniciativa era dada pela saudosa Professora Florinda e também depois pela Dona Thalma. O incentivo a leitura era claro na época, e toda a semana, num dia estipulado íamos até a biblioteca e adotávamos um livro para que o tempo de lazer em casa fosse mais produtivo.
É claro que nem sempre tínhamos a felicidade de pegar um livro bom, animado e estimulante, mas na maioria das vezes era uma descoberta fantástica. Lembro-me de alguns bons como o primeiro que li: "A Ilha perdida"; como também me lembro de péssimos e traumatizantes como "O Barbeiro" (até hoje tenho medo desse inseto).

Voltando à "A aventura do papel"...

O livro me inspirou. Inspirou também o meu pai, que desde sempre trabalhou neste ramo papeleiro, antes como "sucateiro" e depois como "reciclador".
Ele gostou tanto que adotou o texto abaixo como diretriz.
É triste, mas real.
Assim, divido com vocês, lembrando do último texto que escrevi, sobre sustentabilidade. Vale a reflexão!

" Os trapos fazem o papel
O papel faz o dinheiro
O dinheiro faz os bancos
Os bancos fazem os mendigos
O mendigos fazem os trapos
Os trapos fazem o papel"


Odile Limousin

(Map of the world)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Transparência rumo a sustentabilidade

A Conferência Internacional Ethos 2009, cujo tema foi: “Rumo a uma nova economia global – A transformação das pessoas, das empresas e da sociedade” aconteceu de 15 à 18 de junho no Hotel Transamérica, em São Paulo.
Todos os painéis, palestras, encontros e oficinas visavam apontar o que já se alcançou e o que ainda falta ser feito para que o Brasil se torne sustentável.
Pessoas físicas, empresas, Ongs, mídia e governo. Esses são os setores que continuam precisando seguir em frente, rumo a projetos e ações verdadeiramente completas, no sentido de agir pessoalmente em prol da sociedade e do ambiente, não se esquecendo de que o produto confeccionado por cada um (seja material, ou imaterial) reduza, ao máximo, riscos ambientais e sociais.
Não adianta economizar água e energia elétrica, se no final do curso o produto gerado acarretará resíduo a terceiros. Isso significa pensar no todo.
A frase célebre da raposa, no tão conhecido livro “O pequeno príncipe” de Exuperì já dizia: “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
No mundo dos negócios e da economia a premissa continua valendo. Somos responsáveis pelos nossos atos e também pelos atos de nossos fornecedores e clientes. Todos os envolvidos no processo são peças preciosas para que a engrenagem sustentável seja um resultado real.
Empresas que fabricam computadores, por exemplo, devem sim otimizar os recursos no processo, mas precisam pensar em estratégias para que o produto final, quando sucateado, tenha destino certo, e não ser mais um dos principais problemas ambientais atuais.
Empresas que poluem (ainda) o Meio Ambiente, não podem apenas apoiar projetos culturais, mostrando que “fazem a lição de casa” se continuarem a poluir.
A mídia, por outro lado, não pode cobrar dos empresários, transparência, se também não o fazem.
Sim, transparência foi a palavra da vez. Parece-me que a tão falada transparência é a diretriz para que o Brasil se torne um dia, realmente sustentável.
Questionados por mim, na abertura da Conferência, três grandes representantes da imprensa do sudeste do Brasil simplesmente não responderam o que fazer com cerca de 75% de descarte de produção (leia-se devolução das bancas). Claro, afinal, o que fazer: diminuir a tiragem? Migrar de vez para a internet? Qualquer uma das opções geraria um problema econômico nas grandes redações: o que falar para os anunciantes?
Estamos em tempos de reflexão e absorção de todos esses novos (novos?) conceitos e necessidades. É preciso, porém, que ações sejam traçadas logo, rumo a tão almejada sustentabilidade. Não só por nós, mas em prol de vida saudável e menos caótica aos que usufruirão deste planetinha nas próximas gerações.
E esse fazer tem que ir além do economizar, reciclar e reutilizar. É preciso repensar!

Em tempo: Eu ainda prefiro ficar com as falas de Tião (palestrante) na minha mente e coração. Ele faz um eficiente trabalho numa periferia... Há 10 anos evita que meninos sigam o destino do corte de canas. Em todos esses anos, Tião disse que só perdeu 10 meninos... Porém, não para o corte e sim para a arte: música e dança! "Aí sim a gente pode perder e ainda fica muito feliz", finalizou!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Faces Ocultas


O que é o amor, senão a cumplicidade, a harmonia, a doação e a admiração, unidas a freqüente vontade de estar o tempo todo dedicado a este amor?
A arte não é diferente. Quem comprova essas breves palavras, a princípio melosas e corriqueiras, são os bailarinos da Faces Ocultas Cia. de Dança, que apresentaram de 22 a 27 de maio, espetáculos consagrados, que há 12 anos vêm fazendo sucesso por onde passam.
“Poemas Brasileiros”, “Quatro Paredes”, “Vela pra qualquer santo”, “Folcloreando”, “Rubras Faces”, “A Ópera Caiu”, “O Lago do Cisne”, “Faces Dança Elis”... esses são apenas alguns dos tão aclamados espetáculo que fazem da Faces Ocultas, uma das Cias. mais importantes e significativas do Estado de São Paulo.
Alguns movimentos são identificados em várias coreografias. O estilo do coreógrafo (na maioria das vezes, Arilton Assunção) é gravado pelas nuances bucólicas e sentidas. Porém, cada espetáculo fala uma língua, exprime uma realidade única que é transmitida pelos bailarinos de forma espetacular.
O espectador mergulha na riqueza de detalhes que faz horas se passarem como um raio de luz mágica que permitem aos pensamentos se firmarem em realidade. Sim, o espectador dança com olhos o movimento executado pelo bailarino, que por sua vez, traduz o sentimento do criador.
O instante permite que a dança faça uma ligação tão profunda entre os envolvidos, que ao final do espetáculo, ao acender de luzes, todos involuntariamente se colocam de pé e ovacionam, se emocionam, aplaudem, tanto os do palco, como os da platéia.
A perfeição, o magnetismo, são notados em todas as apresentações: da cômica ao drama.
O olhar do público não se perde, nem por um segundo, e os bailarinos, em cada respiração, transmitem a esses olhos famintos pela beleza, uma sensação de preenchimento tão verdadeira, que é possível ver, pelo reflexo da lágrima não derramada, o casamento perfeito entre o fazer arte e o admirar e reconhecer.
Então, para quem ainda não teve o privilégio de ver essa Cia. tão eficiente e apaixonada se apresentar, fique atento a programação, que durante todo o ano é recheada por belas execuções.
Não importa o espetáculo apresentado, a certeza do namoro acontecer é fato!

(Faces Ocultas Cia. de Dança nas comemorações de seus 12 anos - Auditório Maestro Gaó - Salto/SP - maio/2009)

Em tempo:

Esse orgulho que sinto ao escrever o texto de hoje se dá por vários fatores. O primeiro por viver numa cidade mãe (genitora e acolhedora) de tantos talentos artísticos. Segundo por fazer parte desta companhia como admiradora, amiga, fotógrafa, e agora como professora. Mas o orgulho maior, talvez grande demais para caber no meu peito, é ver a evolução de um dos bailarinos especificamente, que há quatro anos vem crescendo profissionalmente e enquanto pessoa ali, cercado de pessoas do bem e amantes da arte da dança. Este último item tem sempre um gosto a mais, pois, por obra do destino, eu o incentivei, certa vez, para que com esta companhia fizesse um curso de férias... De lá para cá, o iniciante foi se desabrochando e hoje já começa a colher os primeiros frutos de um longo caminho a percorrer. Esta tão citada pessoa, é meu querido irmão, a quem tanto amo e reverencio!