segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Sobre Margueritte e Gisèle

Neste final de semana assisti ao gostoso filme "Minhas tardes com Margueritte". Leve, poético, aconchegante, puro, verdadeira obra de arte! Assim que o vídeo acaba, fica aquela sensação boa de soma, de que o contemplado trouxe algo de bom, que perdurará dentro da gente!


Gisèle Casadesus, a atriz principal, nasceu na França em 1914 (sim, continua viva e trabalhando ativamente). Ela é membro honorário de entidades culturais importantíssimas francesas, assim como provém (é da segunda geração) de uma notável família de 40 artistas. Compositores, músicos, poetas, atores... desde 1870 transformando positivamente a história cultural da França.


Após muita leitura, ficaram duas lições que reforçam meu pensamento a respeito da vida: 1) é possível viver de arte/cultura, profissão digna que deve ser valorizada e investida como qualquer outra; 2) a mente determina a nossa idade!

Mesmo com poucas palavras, mas muita energia boa, escolhi este tema para reativar o meu blog, deixando a dica de um filme sem efeitos especiais, que traz muitas sugestões para reflexão sobre nossas escolhas.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Observações inspiradoras

Gosto de observar as coisas, as pessoas, a vida.
Diferente do que se pode pensar, essas observações não acontecem com hora marcada, nem são longos devaneios. São instantes que se somam ou se perdem.
De repente um instante do olhar rende reflexões para semanas. Outras parecem uma história inteira já no momento do captar da situação.
Durante três dias consecutivos, no mesmo horário, pude perceber uma moça, sentada no mesmo lugar, com o mesmo olhar e exatamente na mesma posição. Seus trajes e seus pertences foram alterados em todos os dias, mas, aquela figura estática, como uma esfinge, chamou-me a atenção.
Criei então uma história imaginária sobre ela. Na verdade criei várias histórias mentais sobre aquela figura, que no fim da reflexão, nem parece mais real, só mais um devaneio qualquer.
Essas observações, reflexões e pensamentos não são exclusivos à curiosa estátua humana. É um acontecimento quase que involuntário e diário que se dá desde sempre comigo. Acho até faz parte de uma brincadeira de criança que se perpetuou.
Geralmente faço isso internamente, só com a imaginação e quase nunca é exteriorizado, pois, na verdade não tem importância, talvez seja (se é que seja isso) um exercício mental. Porém, quando meu pai e eu estamos parados em meio às pessoas, em qualquer multidão, os devaneios e observações são feitos em dupla, vezes apenas com o olhar, outras, porém, com palavras e risos.
Me sinto louca em alguns desses momentos, pois além de todas essas construções imaginativas, penso: será que só eu faço isso? Será que é normal?
Para a estátua humana, percebida essa semana, criei diversos cenários de vida, muitas vezes impossíveis de acontecerem juntas, partes feitas de clichês, outras mais mágicas e fantasiosas, algumas tristes, outras normais.
Poderia ter escolhido qualquer um. Poderia ter escrito apenas sobre o fato dela ficar sempre alí. Poderia ter escrito sobre a figura dela, descrevendo-a. Poderia, inclusive ter feito um textos sobre olhares, o dela, os dos outros ao redor, ou do meu.

No fim, resolvi deixar tudo de lado e escrever sobre essa minha mania de observar o mundo real e criar nelepossibilidades imaginárias, outras vidas, alternativas para os personagens que nem conheço, mas que por um instante saltaram, sem querer, aos meus olhos e me inspiraram a pensar, a criar, a escrever...