quarta-feira, 25 de junho de 2014

Observações inspiradoras

Gosto de observar as coisas, as pessoas, a vida.
Diferente do que se pode pensar, essas observações não acontecem com hora marcada, nem são longos devaneios. São instantes que se somam ou se perdem.
De repente um instante do olhar rende reflexões para semanas. Outras parecem uma história inteira já no momento do captar da situação.
Durante três dias consecutivos, no mesmo horário, pude perceber uma moça, sentada no mesmo lugar, com o mesmo olhar e exatamente na mesma posição. Seus trajes e seus pertences foram alterados em todos os dias, mas, aquela figura estática, como uma esfinge, chamou-me a atenção.
Criei então uma história imaginária sobre ela. Na verdade criei várias histórias mentais sobre aquela figura, que no fim da reflexão, nem parece mais real, só mais um devaneio qualquer.
Essas observações, reflexões e pensamentos não são exclusivos à curiosa estátua humana. É um acontecimento quase que involuntário e diário que se dá desde sempre comigo. Acho até faz parte de uma brincadeira de criança que se perpetuou.
Geralmente faço isso internamente, só com a imaginação e quase nunca é exteriorizado, pois, na verdade não tem importância, talvez seja (se é que seja isso) um exercício mental. Porém, quando meu pai e eu estamos parados em meio às pessoas, em qualquer multidão, os devaneios e observações são feitos em dupla, vezes apenas com o olhar, outras, porém, com palavras e risos.
Me sinto louca em alguns desses momentos, pois além de todas essas construções imaginativas, penso: será que só eu faço isso? Será que é normal?
Para a estátua humana, percebida essa semana, criei diversos cenários de vida, muitas vezes impossíveis de acontecerem juntas, partes feitas de clichês, outras mais mágicas e fantasiosas, algumas tristes, outras normais.
Poderia ter escolhido qualquer um. Poderia ter escrito apenas sobre o fato dela ficar sempre alí. Poderia ter escrito sobre a figura dela, descrevendo-a. Poderia, inclusive ter feito um textos sobre olhares, o dela, os dos outros ao redor, ou do meu.

No fim, resolvi deixar tudo de lado e escrever sobre essa minha mania de observar o mundo real e criar nelepossibilidades imaginárias, outras vidas, alternativas para os personagens que nem conheço, mas que por um instante saltaram, sem querer, aos meus olhos e me inspiraram a pensar, a criar, a escrever...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Esperanças motivadoras

Aprendi a ter esperanças... hoje entendo que as tais esperanças são bem vindas somente se tiverem objetivos propulsores, pois se servirem como espera de milagres é melhor não tê-las!
A mágica de viver se faz quando a sobrevivência está garantida e então vislumbram-se possibilidades... e os sonhos passam do papel ou da mente para a realidade!
É impossível para mim, ver estrelas se apagarem por falta de estímulo, por falta de ânimo...
Mas,  quem já não passou por isso?  Os baixos da vida existem!  É preciso fazer deles, porém,  gatilhos para novos saltos!
Hoje, brindo as novas ideias, as boas energias, as infinitas possibilidades,  os recomeços!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Uma artista sem palco


"O Voo da Anhuma" é um espetáculo musical que escrevi para que os alunos do Ponto de Cultura Espaço Cultural Barros Junior se apresentassem em 2012. Teatro, dança, música e cenografia se uniram para fazer dos escritos, vivos.

A peça tem início com quatro crianças lendo um grande livro de história, que conta a trajetória de uma passarinha adolescente, a pequena Anhuma, que resolve vir para Salto, para conhecer o local onde seus antepassados viviam. Quando chega, porém, fica arrasada em perceber as condições do Rio Tietê, tema central do espetáculo. 
A trama percorre todo o passado, desde os índios, colonizadores, instalação de indústrias, vinda de Dom Pedro... até chegar aos dias de hoje, quando a poluição se faz dona do local.

As duas crianças menores ficam indignadas e acabam reescrevendo o final da história, deixando o rio limpo e permitindo que a natureza seja, como deveria sempre ter sido, a grande estrela!

Escrevo esse texto, não para falar da Anhuma, nem para discutir a poluição do Tietê, mas para falar da personagem "Adelaide", que na peça é uma popstar do Meio Ambiente.  

Logo no início do espetáculo, as quatro taperás convidam a anhuma para assistir ao show da Adelaide, que acontecia em todo final de tarde "exatamente onde o Rio Jundiaí se encontra com o Rio Tietê", e então, a passarada toda acaba fazendo uma grande festa!

Como os saltenses já devem imaginar, Adelaide é uma garça. E essa passagem narrava o que diariamente acontecia no encontro das águas desses dois rios, na entrada da cidade. As árvores que lá existiam ficavam repletas dessa ave e o show realmente se fazia aos olhos dos muitos que lá paravam ou passavam para contemplar.
Me refiro à esse espetáculo da natureza no tempo passado sim, pois por conta da derrubada da maior parte dessas árvores, para a construção de uma ponte, nunca mais Adelaide e suas irmãs, farão shows tão belíssimos quanto àqueles que um dia existiram...
Infelizmente, se um dia reprisar o espetáculo musical, terei que reescrevê-lo, fazendo da garça, uma artista sem palco, uma artista sem brilho... um "Mirante das Garças" sem árvore, sem garça, sem vida...

(Foto: Espetáculo musical "O Voo da Anhuma" - Espaço Cultural Barros Junior - 2012)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A retomada dos escritos

Desde 2009 usei pouco deste espaço para me expressar. O dia-a-dia atribulado, novos desafios profissionais, além de imposições que fiz a mim mesma para tentar deixar de me importar, para tentar deixar de me maravilhar e até indignar... Para 2014 decidi que traçarei novos objetivos, que trilharei por caminhos mais intensos e bem diferentes. Assim, como primeiro ato, decidi retomar este canal, que já traz nova roupagem e carregará, a partir de agora, novas ideias...